(Vizinhos com Benefícios, seriado sobre swing do canal A&E)
Isso é uma pergunta frequente e considero até um insatisfação geral. Aqui no Brasil é difícil ver alguma festa, boite ou rede social swing funcionar sem a presença de solteiros, diferente do que a gente acompanha lá fora, principalmente na Europa.
As pessoas enxergam um problema simplesmente porque estão olhando para o lugar errado. É super comum um político anunciar uma medida baseada em algum projeto que deu muito certo lá fora e todo mundo criticar, dizendo que isso não é garantia de sucesso já que nosso povo (e país) é diferente, que na verdade deveria adaptar. Terno é outro exemplo. Quando passa um rapaz de terno em pleno verão a primeira coisa que a gente pensa é no quanto isso é inapropriado para o nosso clima, o quanto ele está sofrendo. Na Europa tudo bem, mas aqui terno no verão é desumano, é necessário pensar em alguma adaptação.
Seguindo o mesmo raciocínio falo do swing. Não da para achar que algo surgido em outra cultura vai funcionar aqui sem alguma adaptação. Na Europa as pessoa pensam diferente, agem diferente e sofrem pressões diferentes. Eu vou explicar.
A Inglaterra possui casas de swing frequentadas apenas por casais e ninguém fica com um repelente de solteiros fazendo uma ação agressiva contra eles, eles simplesmente não fazem parte da rotina. O mesmo acontece em quase todo o continente, principalmente nos países mais ao norte. Para um casal holandês, sueco ou norueguês o swing não representa um grande tabu, é apenas mais uma coisa que fazem em casal. Isso já não é verdade nos países latinos, onde o machismo está presente dando um sabor totalmente especial. Antes do chilique adianto que não estou fazendo apologia ao machismo e muito menos um discurso feminista, mas é inegável que no Brasil uma mulher promiscua é considerada vagabunda e o homem comedor. Aqui a mulher sofre muito quando toma chifre, mas o homem, além de tudo, é humilhado, vai sofrer com isso o resto da vida, fica marcado, seus amigos vão zoar, colocar apelidos, é bem mais complicado.
Dito isso fica mais fácil entender o porquê do nosso swing ser tão desfigurado a ponto de quase se confundir com o ménage masculino. Fazer swing para um Holandês é realizar a troca e curtir uma novidade, mas para um brasileiro, que tem o machismo na alma, a coisa ganha contornos totalmente diferentes no momento em que ele percebe que está sentindo muito mais tesão vendo a mulher dele com outro do que comendo uma pessoa diferente. Não da para competir! A injeção de adrenalina é muito maior! Estamos em um país latino, para o homem ser corno é um tabu muito maior do que cornear. Coisa que não acontece na Europa.
Por outro lado temos as mulheres. Nos países latinos elas são pressionadas a estar sempre bonitas, femininas, aprendem que uma mulher de verdade deve bastar para o marido e que ciúme é sinônimo de amor. Fora a questão da fama, uma brasileira tem que se dar o respeito para não ficar marcada como puta, afinal, ninguém namora puta. Ai vem o swing, ela pode se vestir de forma mais ousada e transar com outros caras sem se preocupar com julgamentos, isso seria o paraíso se não fosse o problema do marido. Para elas é muito difícil curtir uma troca sabendo que a pessoa que ela ama está tendo uma relação de intimidade com outra mulher, isso não é facilmente digerido por uma latina. Para ela é infinitamente melhor transar com outros caras sem correr o risco do marido ter outra mulher e gostar. Fora que ser o centro das atenções de outro macho mais o marido é a fantasia de muitas.
No fim o que vemos é uma pressão invisível enorme que acaba empurrando o casal gradativamente para o ménage masculino, onde o marido sente mais tesão e a mulher se sente mais confortável. É claro que antes de chegar nesse ponto o casal passa por diversas fases, nem todo mundo enxerga as coisas com tanta clareza, como também é óbvio que existem casais que curtem apenas troca mesmo sendo esses uma minoria. O mesmo machismo que desfigura o swing transformando em ménage deixa o caminho para o amadurecimento mais difícil. É o machismo o grande responsável pelo casais novinhos que entram nesse meio procurando "apenas solteiras" ou "swing sem troca". As pessoas levam tempo até acertarem os ponteiros, e é por isso que depois de um período a gente esbarra com esse mesmo casal procurando solteiros, muitas vezes abraçando o fetiche "cuckold". Parece uma guinada brusca, mas na verdade foi apenas o tempo necessário para a aceitação.
